Como encarar a quarentena? – Relato da família Meireles


Para cumprir as medidas de isolamento social determinadas pelo Governo do Espírito Santo devido à pandemia do novo coronavírus, muitas instituições aderiram ao modelo de ensino a distância, como a Escola Monteiro. No entanto, diante deste cenário, muitos se perguntam sobre como encarar a nova – e temporária – realidade, conciliando, por exemplo, o trabalho home office com os filhos em casa. 

Algumas famílias atendidas pela Monteiro vêm se ajustando à quarentena e compartilham suas experiências e percepções acerca da situação. É o caso da família Meireles. Evelyze e Marcos, pais da Flora do 9º ano B, contam que não passaram por mudanças bruscas na rotina, exceto pelo próprio fato de estarem todos em casa, tendo que dividir as tarefas do lar, estudar e trabalhar remotamente. A mãe relata: “Pela manhã, cada um fica em um espaço da casa, estudando ou trabalhando. Nos reunimos para fazer o almoço e as tarefas da casa, logo voltando a estudar e trabalhar”. Ela destaca o momento das refeições – do jantar, principalmente –, como destinado a conversas e maior interação entre a família. 

Família Meireles: Théo, Flora, Evelyze e Marcos. Foto: Divulgação/Acervo pessoal

Evelyze acrescenta que Flora já possuía seus horários de estudo bem estabelecidos, antes mesmo da quarentena. “Agora, ela está estudando na parte da manhã, que é o horário em que os professores e a Escola oferecem as disciplinas para o Fundamental II e, à tarde, ela faz as atividades que foram propostas”. 

Família e Escola

Para os Meireles, o trabalho da Escola tem sido fundamental nesse período. “Nos primeiros dias do isolamento, Flora vivia um ‘feriado prolongado’ e o retorno aos estudos, com as aulas a distância, foi um importante divisor de águas para ela. Uma série de expectativas e ansiedades, próprias a todo início e ante ao desconhecido, surgiram, mas logo no primeiro dia se dissiparam. A oportunidade de voltar a estar com os amigos e professores deixou nossas refeições mais divertidas, com as histórias de como foi a aula, do que fizeram,da quantidade de tarefas, dos temas que deveriam ser discutidos, sempre contados com humor por ela”.

Os pais ressaltam que a temporária realidade tem permitido à família conhecer melhor o trabalho e os estudos uns dos outros. “Paulatinamente, fomos nos envolvendo nas pesquisas que a Flora era incumbida a fazer, ampliando os horizontes do conhecimento sobre o mundo dela e de como ela, coletivamente, vem apreendendo a realidade. Por vezes, surgem percalços e enfrentamentos, afinal Flora é uma adolescente e é natural que assim seja entre o modo que ela percebe o que lhe é ensinado e nossa perspectiva, adulta”, relatam Evelyze e Marcos. 

Foto: Divulgação/Acervo pessoal

Durante a quarentena, o casal enfatiza a valiosa parceria entre família e Escola: “Nestes momentos, confiamos nos professores para que permitam à Flora construir as bases de argumentação para defesa do ponto de vista dela. Cá e lá, quando as nossas dificuldades em lidar com a tecnologia aparecem, a Monteiro tem sido muito parceira e nos orienta com tranquila presença”. 

Impressões sobre a quarentena – Um chamado ao pensar coletivo

Evelyze e Marcos contam que sua família vem extraindo bons frutos do isolamento: “Cremos que, para nós, que temos o privilégio de poder escolher assim nos proteger e proteger os outros, esta é uma oportunidade inusitada e extraordinária de aprendizado”.

Para os Meireles, o senso de coletividade estimulado pela situação, até nas tarefas mais básicas, faz toda a diferença. Como o cumprimento das tarefas domésticas, por exemplo: “Demanda levarmos em consideração a responsabilidade de cada um para o bem-estar do conjunto, pensando em como os nossos atos trazem consequências para a vida do outro”, ponderam Evelyze e Marcos.

“A dor nos ronda e nos humaniza. Temos tido a possibilidade de estreitar laços, bem como melhor reconhecer e acolher nossas diferenças. Precisamos administrá-las. Talvez, alguns pais estejam considerando o modelo de ensino e os objetivos que prevalecem em nossa sociedade, preocupados com o aproveitamento dos filhos. Entendemos, porém, pensamos – e temos conversado com a Flora e o Théo – que, em face ao imprevisto e às incertezas de hoje, vivendo o temor e a ansiedade engendrados, temos a necessidade e, portanto, a oportunidade de desenvolver mais competentemente nossas habilidades. Podemos, criativamente, trabalhar para lidar com frustrações, reinventar o modo de lidar com o tempo e de expressar nossas necessidades, ideias e emoções”, concluem os pais.

Saiba como Júlio Pagotto, professor de Filosofia da Monteiro, está lidando com o confinamento e o home office.

Clique aqui e veja como a família Gonçalves Faria está se adaptando ao isolamento social.

Talita Vieira.