Aprender, criar e brincar todos os dias
No Período Integral do Fundamental 1 da Escola Monteiro, o tempo ampliado na escola se transforma em uma oportunidade de aprofundar aprendizagens, fortalecer vínculos e explorar diferentes formas de expressão. A rotina dos alunos vai além do acompanhamento das tarefas escolares e inclui atividades que valorizam o brincar, a criatividade e o desenvolvimento integral das crianças.
Durante o contraturno, os estudantes contam com apoio pedagógico na realização das tarefas de casa, na organização dos estudos e na preparação para avaliações. Ao mesmo tempo, participam de oficinas e projetos que ampliam suas experiências de aprendizagem.
Segundo a professora Girlane Aragão, responsável pelo Integral do Fundamental 1, a proposta busca ir além do reforço escolar.
“O Período Integral é pensado como um tempo ampliado de aprendizagem, convivência e descobertas. Mais do que um espaço voltado apenas ao cumprimento de atividades escolares, buscamos ampliar as experiências das crianças, oferecendo oportunidades de investigação, criação e participação ativa nas propostas”, explica.
Arte, imaginação e memória
Um exemplo desse trabalho é o projeto “A Ilha das Brincadeiras Esquecidas”, que propõe resgatar brincadeiras tradicionais por meio de experiências lúdicas, artísticas e colaborativas. Inspirado no livro A Ilha Perdida, de Maria José Dupré, o projeto convida as crianças a imaginar uma ilha onde brincadeiras antigas precisam ser redescobertas para não desaparecerem.
A proposta começa a partir das próprias vivências dos alunos. Em rodas de conversa, as crianças compartilham quais brincadeiras conhecem, onde costumam brincar e quem lhes ensinou essas atividades. A partir desse diálogo, o repertório cultural do grupo é ampliado, valorizando saberes que atravessam gerações.
Ao longo da semana, a rotina do Integral se organiza em oficinas temáticas. Na Oficina de Artes, por exemplo, as crianças representam suas brincadeiras preferidas por meio de desenhos em aquarela e entram em contato com as obras do artista brasileiro Ivan Cruz, conhecido por retratar brincadeiras populares em suas pinturas.
Alunos do integral desenvolvem artesanalmente jogos para apresentar e brincar
Já na Oficina “Era Uma Vez”, a escola se transforma simbolicamente em uma ilha imaginária. As crianças constroem mapas, dão nomes lúdicos aos espaços, como “Campo da Queimada” ou “Floresta do Pique-Esconde”, e exploram os ambientes da escola de forma criativa.
Aprender fazendo: invenção, cooperação e criação
Outro destaque da rotina do Período Integral é o trabalho com a cultura maker e a sustentabilidade. Na Oficina de Invenções, as crianças transformam materiais recicláveis em brinquedos tradicionais, como petecas, bonecas de pano, pés de lata e vai-e-vem.
Além da construção, cada aluno registra suas ideias e planeja as etapas de produção do brinquedo, exercitando organização, autonomia e imaginação. Na Oficina de Criação, os alunos são convidados a inventar ou reinventar jogos em grupo. Eles escolhem nomes, definem regras, testam as brincadeiras e fazem ajustes coletivos.
De acordo com Girlane, esse processo também desenvolve importantes habilidades sociais. “Ao criar jogos e regras juntos, as crianças aprendem a dialogar, negociar e respeitar combinados. Elas compreendem que brincar também envolve cooperação, escuta e respeito às ideias dos colegas.”
Quando uma brincadeira vira projeto
O próprio projeto “A Ilha das Brincadeiras Esquecidas” nasceu de uma situação espontânea vivida pelas crianças no Integral. Durante um momento de exploração, uma aluna começou a fazer pequenas bolinhas de papel. Ao observar a cena, a diretora Penha comentou que aquele objeto poderia ser usado para brincar de cinco-marias, uma brincadeira tradicional. A conversa despertou a curiosidade do grupo e levou outras crianças a compartilharem jogos que conheciam.
A partir desse episódio, surgiram novas ideias e o projeto começou a tomar forma, com as crianças criando brinquedos, relembrando brincadeiras e inventando novas formas de jogar. Para a professora, esse resgate também aproxima diferentes gerações.
“Quando as crianças descobrem que seus pais e avós também brincavam dessas coisas, elas percebem que fazem parte de uma história maior. É uma forma de valorizar a cultura da infância e mostrar que é possível brincar e se divertir com recursos simples e muita imaginação.”
Experiências sensoriais e expressão
A semana se encerra com uma Oficina Sensorial, que explora novas formas de perceber o mundo. Em um ambiente com pouca luz, utilizando tinta neon e luz negra, as crianças desenham, modelam e criam personagens inspirados nas brincadeiras vivenciadas ao longo do projeto.
A atividade estimula a experimentação e amplia as possibilidades de expressão e aprendizagem.
Um espaço de convivência e desenvolvimento
No Período Integral, as crianças também participam da construção das atividades e ajudam a definir caminhos para as oficinas. Esse processo fortalece a autonomia, a escuta e o diálogo entre os colegas.
Para Girlane, esse envolvimento é uma das características mais marcantes do trabalho.
“O mais significativo é ver as crianças participando ativamente das propostas, expressando suas ideias, criando, investigando e aprendendo juntas em um ambiente acolhedor, onde o brincar, a convivência e o conhecimento caminham lado a lado.”
A experiência vista pelas famílias
Para as famílias, o Período Integral também representa uma forma de ampliar as vivências das crianças no cotidiano escolar. A mãe Daniela Matteidê, cuja filha Olívia participa do Integral, conta que sua primeira impressão ao conhecer a proposta da Escola Monteiro foi bastante positiva.
“Percebi que não se tratava apenas de ampliar o tempo da criança na escola, mas de oferecer um ambiente realmente pensado para o desenvolvimento integral dela. Me chamou atenção a proposta de unir cuidado, rotina, acolhimento e experiências significativas ao longo do dia, respeitando a infância de uma forma muito bonita e inteligente. Também fiquei feliz com as opções de contraturno, que colocam a criança em contato com artes e outras possibilidades de aprendizagem.”
Na avaliação de Daniela, a combinação entre momentos de aprendizagem, brincadeira e convivência é essencial para o desenvolvimento das crianças.
“A infância não acontece apenas no momento formal da aprendizagem, mas também nas brincadeiras, nas trocas, na convivência, na construção de autonomia e de vínculos. Um espaço que consegue integrar esses elementos contribui não só para o desenvolvimento cognitivo, mas também para o emocional e social da criança. Para mim, esse equilíbrio é muito valioso, porque ajuda a formar crianças mais seguras, criativas e preparadas para viver em grupo.”
Em casa, as experiências vividas no Integral costumam aparecer nos relatos espontâneos da filha.
“A Olívia chega em casa trazendo relatos muito felizes sobre o que viveu. Ela fala das atividades, das brincadeiras, das interações com os colegas e funcionários e também das refeições em conjunto, que ela gosta muito.”
Para Daniela, o impacto do Período Integral também se reflete no cotidiano das famílias.
“Como mãe, percebo que o Período Integral tem um valor que vai muito além da organização da rotina familiar. Ele representa a possibilidade de ver minha filha em um ambiente seguro, afetivo e rico em experiências durante uma parte muito importante do dia. Isso faz diferença não só para a criança, mas para toda a família. Quando a escola consegue cuidar, ensinar e acolher ao mesmo tempo, ela constrói algo realmente precioso.”