Publicado em 23/02/2022

Foto: Divulgação/Marvel Studios

Dirigido por Jon Watts, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa foi lançado no Brasil em dezembro de 2021, tornando-se a 6ª maior bilheteria da história do cinema global e a 3ª maior bilheteria dos EUA, de acordo com grandes portais de informação, como G1, CNN Brasil e a revista estadunidense Variety.

Não indicado para menores de 12 anos, o longa-metragem estrelado por Tom Holland, que interpreta o “Amigão da Vizinhança” da Marvel, também traz Andrew Garfield e Tobey Maguire no elenco. A ideia de reunir os três atores que interpretaram o Homem-Aranha nos cinemas transformou o filme “Sem Volta para Casa” em uma bonita homenagem às franquias anteriores, encantando admiradores/as e até pessoas que nem eram tão fãs do gênero. Você já se perguntou o porquê de tanto sucesso?

Física quântica no enredo – explicação de Alex Rios, professor da Monteiro

Professor Alex Rios. Foto: Talita Vieira/Divulgação

O encontro entre as três versões do herói em um único longa foi justificado pelo pano de fundo da história, o multiverso. Na ciência, este termo é utilizado para definir um conjunto de universos que possivelmente coexistem, baseando-se na Teoria das Cordas (ou Teoria das Supercordas), que inicialmente foi desenvolvida pelo físico alemão Theodor Kaluza. De acordo com Alex Rios, professor de Física da Monteiro, grandes físicos modernos, como Stephen Hawking, Brian Greene, Edward Witten e Michio Kaku acreditam que nossa “casa” é apenas uma parte de um grande “quarteirão” formado por “casas” exatamente iguais. 

A ideia da Teoria das Supercordas sugere que existam mais de três dimensões no espaço. Na verdade, supõe-se que existam nove espaciais e uma temporal – algo hipotético, mas magnífico. Para entender melhor a teoria, basta imaginarmos as cordas de um violão. Quando o instrumento é tocado, cada frequência emitida pela vibração das diferentes cordas seria capaz de gerar as partículas fundamentais da natureza que conhecemos. “Esse pensamento muda a concepção de que a matéria é feita de ‘tijolinhos’, assemelhando-se a tubos de energia vibrante – as tais supercordas. Segundo a teoria, o universo que conhecemos seria nada mais do que uma manifestação de uma geometria particular dessas dimensões extras. Desta forma, podemos conceber outras geometrias que gerariam outros universos, ou seja, os multiversos”.

Moderno é humanizar – a humanização como elemento essencial para o sucesso de Sem Volta para Casa

Já imaginou se pudéssemos ter contato com outras outras versões de nós mesmos/as e com pessoas do passado ou situações familiares e, com isso, fazer escolhas diferentes? Ao utilizar a teoria física como base para a narrativa cinematográfica, o diretor Jon Watts consegue encantar o público por meio da atuação de Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) e os efeitos de computação gráfica, afinal, imaginar inúmeros universos e possibilidades de existência, por si só, é algo fantástico. Além disso, o longa cativa ainda mais os/as telespectadores/as por mostrar um lado da personalidade do Homem-Aranha “esquecida” até então: sua humanidade. 

Tom Holland consegue mostrar o que há de mais humano no herói, personificando a máxima “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Ao tentar salvar cada vilão e olhar para eles com empatia, acolhendo suas respectivas histórias e singularidades (sem se importar se são de universos diferentes ou julgá-los pelas maldades e crimes cometidos), o Homem-Aranha amadurece e suscita questionamentos sobre escuta ativa, solidariedade, perdão e segundas chances, indo além do esperado e ultrapassando a ação e a aventura evidenciadas nos longas anteriores. 

Ao trazer de volta Tobey Maguire e Andrew Garfield às telas, a nostalgia provocada no público é outro ponto forte do filme, amarrando bem o enredo baseado no multiverso e dando consistência ao amadurecimento e à humanização de Peter Parker.  

Entrega mais do que entretenimento

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa é um filme que vai além do entretenimento, pois resgata a humanização enquanto pauta, tornando-a um assunto mais discutido na sociedade. Além de levantar debates sobre teorias físicas, a humanização do herói e dos vilões está em concordância com os valores da Monteiro, que sempre busca exercer um olhar personalizado, empático e acolhedor para cada aluno/a, família e colaborador/a. Após o lançamento no Brasil, em dezembro, o filme continuou sendo exibido por mais de dois meses em muitos cinemas do país, inclusive na Grande Vitória. Por isso, essa é mais uma indicação do Cinema Comentado para você se divertir e assistir com um ponto de vista reflexivo.

Para além da justificativa apresentada no filme, a ausência da máscara pode ser interpretada como símbolo da humanização do herói. Foto: Reprodução/Marvel Studios

Clique aqui e assista ao trailer de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa.

Talita Vieira.

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