Aprender também é observar, percorrer e descobrir

Aprender na prática torna cada descoberta ainda mais significativa

Conhecer um lugar é diferente de estudá-lo e, quando as duas experiências se encontram, o aprendizado ganha outra dimensão. Foi isso que vivemos durante a viagem de estudos a Foz do Iguaçu. Ao longo de quatro dias, nós, estudantes da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio da Escola Monteiro, exploramos espaços que transformaram conteúdos de diferentes disciplinas em experiências concretas.

A cada visita, percebíamos que os temas discutidos em sala de aula estavam presentes nas paisagens, nas construções, na biodiversidade e na história da região. Assim, a viagem tornou-se uma oportunidade de observar, questionar e compreender, na prática, conhecimentos que fazem parte da nossa formação.

Nossa primeira experiência na cidade foi a visita ao Marco das Três Fronteiras, local onde Brasil, Argentina e Paraguai compartilham seus limites territoriais. Estar diante da confluência dos rios Iguaçu e Paraná tornou tangíveis conceitos que, até então, apareciam principalmente nos livros e mapas. A vivência permitiu refletir sobre a formação das fronteiras sul-americanas, as relações econômicas e culturais entre os três países e a dinâmica de uma região marcada pela circulação de pessoas, mercadorias e diferentes tradições.

Ao observar um mesmo espaço conectado por três nações, compreendemos que as fronteiras vão além das divisões geográficas: elas também são lugares de encontro, intercâmbio e construção de identidades. Além disso, o aspecto artístico também foi marcante. O local contava com diversos espetáculos que retratavam as tradições brasileira, paraguaia e argentina por meio das danças típicas, da música e do teatro, surpreendendo tanto pela beleza das apresentações quanto pela força das histórias contadas.

Para a estudante Júlia Pagotto, esse foi o início de uma viagem que surpreendeu desde os primeiros momentos. “Cada lugar nos fazia aprender alguma coisa diferente. Não era apenas conhecer um ponto turístico, mas entender a história, a cultura e tudo o que existe por trás daquele espaço. Foi muito mais interessante do que eu imaginava”

No dia seguinte, seguimos para o Parque das Aves, instituição dedicada ao resgate, à reabilitação e à conservação de espécies da Mata Atlântica. Ao percorrer os viveiros de imersão, tivemos a oportunidade de observar de perto aves de diferentes biomas brasileiros e conhecer as histórias de animais que passaram por situações de tráfico, maus-tratos ou perda de habitat.

Júlia Pagotto, aluna da 2º série na Monteiro

A visita ampliou nossa compreensão sobre os impactos da ação humana na biodiversidade e evidenciou a importância dos programas de conservação para a preservação de espécies ameaçadas. Nesse espaço, além de contemplarmos a fauna, fomos convidados a refletir sobre o papel de cada pessoa na proteção dos ecossistemas e na construção de uma relação mais responsável com o meio ambiente.

A programação seguiu para o Parque Nacional do Iguaçu, onde a imponência das Cataratas revelou a grandiosidade de um dos mais importantes patrimônios naturais do planeta. O impacto da paisagem foi acompanhado por uma compreensão mais ampla da riqueza ecológica da região.

Ao longo da visita, observamos aspectos da Mata Atlântica preservada, discutimos o papel das unidades de conservação na proteção da fauna e da flora e refletimos sobre os desafios de conciliar a atividade turística com a preservação ambiental. A experiência reforçou, na prática, conteúdos relacionados à biodiversidade, aos recursos hídricos e à sustentabilidade, mostrando como esses temas estão diretamente ligados à conservação de ecossistemas essenciais para as gerações presentes e futuras.

Segundo Maria Freitas, aluna da 2ª série do Ensino Médio, foi impossível não se impressionar.

“As Cataratas são muito maiores do que imaginamos pelas fotos. Estar ali fez a gente perceber a importância da preservação ambiental e entender melhor vários conteúdos que já tínhamos estudado.”

Em seguida, visitamos o Templo Budista Chen Tien. Cercados por jardins, esculturas e uma vista privilegiada da cidade, fomos convidados a desacelerar e observar. Conhecemos um pouco mais sobre a cultura oriental, refletimos sobre diferentes tradições religiosas e percebemos como a diversidade cultural amplia nossa forma de enxergar o mundo.

Maria Freitas, aluna da 2º série na Monteiro

A viagem também incluiu uma visita ao Wonder Park, onde assistimos ao Water Show, espetáculo que integra projeções, efeitos especiais, iluminação, música e movimentos sincronizados da água. Além de proporcionar um momento de convivência entre a turma, a experiência evidenciou como diferentes áreas do conhecimento, como tecnologia, engenharia, física e expressão artística, podem dialogar para criar apresentações que unem inovação, criatividade e entretenimento.

Outro momento marcante foi a visita à Usina Hidrelétrica de Itaipu, referência mundial na geração de energia hidrelétrica. Ao conhecer sua estrutura e seu funcionamento, compreendemos a dimensão técnica da obra, os processos envolvidos na produção de eletricidade e a relevância da cooperação entre Brasil e Paraguai na gestão desse empreendimento binacional. A visita também suscitou reflexões sobre os desafios de atender à crescente demanda por energia, conciliando desenvolvimento econômico, segurança energética e responsabilidade socioambiental. Dessa forma, temas discutidos em disciplinas como Física, Geografia, História e Ciências ganharam contexto e aplicação prática diante de uma das maiores obras de engenharia da América Latina.

Para Otto Rocha, aluno da 1ª série do Ensino Médio, conhecer Itaipu foi uma das experiências mais surpreendentes do roteiro.

“A dimensão da usina impressiona muito. Quando entendemos como ela funciona e toda a estrutura necessária para gerar energia, percebemos a importância desse projeto para os dois países.”

Nossa programação também incluiu uma visita ao Ecomuseu de Itaipu, espaço que preserva a memória da região e apresenta as transformações provocadas pela construção da usina hidrelétrica. Ao percorrer as exposições, conhecemos aspectos da ocupação do território, da formação das comunidades locais e das mudanças sociais, culturais e ambientais decorrentes de um dos maiores projetos de infraestrutura da América Latina.

Otto Rocha, aluno da 1º série na Monteiro

Já no Paraguai, a experiência nos aproximou da dinâmica econômica característica da Tríplice Fronteira. Ao observar o intenso fluxo de pessoas, mercadorias e serviços, pudemos relacionar, de forma concreta, conceitos estudados na disciplina de Geografia, entre eles câmbio, importação, exportação, circulação de capitais e integração comercial entre países. A vivência evidenciou como fenômenos econômicos globais se manifestam no cotidiano de uma região marcada pela intensa interação entre diferentes culturas e mercados.

Antes de retornarmos para casa, encerramos a programação no AquaFoz, onde tivemos contato com espécies de água doce e marinhas, além de conhecer iniciativas voltadas à conservação da fauna aquática. A visita reforçou a importância dos recursos hídricos para a manutenção da biodiversidade e possibilitou refletir sobre os impactos das ações humanas nos ambientes aquáticos, destacando a necessidade de preservar ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental.

Ao longo de todo o percurso, cada visita contribuiu para ampliar nossa compreensão dos conteúdos estudados em sala de aula, mas a aprendizagem não se restringiu aos aspectos acadêmicos. A convivência durante a viagem fortaleceu o diálogo, a cooperação e o respeito entre estudantes e professores, criando um ambiente de troca de experiências, autonomia e responsabilidade coletiva.

Para André Valentin, aluno da 1ª série do Ensino Médio, esse foi um dos maiores aprendizados da experiência:

“A viagem mostrou que aprender também acontece quando convivemos, trocamos ideias e vivemos novas experiências juntos.”

André Valentin, aluno da 1º série na Monteiro

Segundo o coordenador do Ensino Médio, Élio Serrano, esse é justamente o propósito do Estudo do Meio.

“Acreditamos que a aprendizagem se torna mais significativa quando os estudantes conseguem relacionar os conteúdos à realidade. O Estudo do Meio desperta a curiosidade, fortalece a autonomia, amplia repertórios e mostra que o conhecimento está presente muito além da sala de aula.”

Élio Serrano, Coordenador do Ensino Médio

Ao retornarmos para Vitória, trouxemos na bagagem muito mais do que lembranças dos lugares visitados. A experiência proporcionou novos repertórios, despertou questionamentos e nos permitiu compreender que o conhecimento se constrói de diferentes formas: pela observação, pelo diálogo, pela investigação e pelo contato direto com a realidade.

O Estudo do Meio em Foz do Iguaçu reafirmou a importância de integrar teoria e prática no processo de aprendizagem. Ao longo de quatro dias, as visitas ampliaram nossa compreensão sobre temas trabalhados em sala de aula e evidenciou como diferentes áreas do conhecimento se conectam e se atravessam diante dos desafios ambientais, históricos, científicos, culturais e sociais.