Releitura de “A Persistência da Memória”, Salvador Dalí. Foto: Valentina Schuwartz/ Acervo pessoal

Foi durante o isolamento social, em 2020, que Valentina Schuwartz decidiu explorar um hobby e transformá-lo em, segundo suas próprias palavras,“arteterapia”. A aluna da 2ª série do Ensino Médio impressiona familiares, colegas e professores/as ao publicar fotos de automaquiagem nas redes sociais. Diferenciando-se dos/as demais artistas que também publicam as próprias maquiagens, Valentina reproduz obras de arte no próprio rosto, como pinturas de Salvador Dalí e Monet.

“Eu sempre gostei muito de maquiagem, de forma geral. Porém, no meio da pandemia, eu comecei a explorar mais esse mundo. Quando postei nas redes sociais e comecei a ver o retorno das pessoas, me senti ainda mais motivada. Fazer minhas maquiagens é algo muito gratificante, pois, por meio delas, consigo expressar coisas que nem sabia que estava sentindo”, relata. Antes de fazer as maquiagens, Valentina procura entender os/as artistas e conhecer melhor o contexto de cada obra que a impacta. 

No processo de elaboração e na repercussão de suas releituras, a estudante recebe o amparo de uma professora em especial: “Desde que eu comecei a fazer minhas maquiagens, Lenice, professora de Arte, sempre esteve muito presente, me ajudando mesmo que a distância. Tenho muito a agradecer a ela, pois sempre me fez querer me esforçar mais. Nesse sentido, Lenice é a minha maior referência”. 

Lenice Coelho, professora de Arte. Foto: Lenice Coelho/ Acervo pessoal

A professora explica que “o papel da arte na sociedade é fundamental. É por meio dela (seja nas artes visuais, na música, dança, teatro, dentre outras) que traçamos uma linha de comunicação entre a proposta do artista e a leitura feita por cada um de nós, ao apreciá-las. A arte está sempre nos contando uma história, mas é preciso saber fazer essa leitura, e quando isso acontece é mágico!”.

Proposta Monteiro – A relação com a arte humaniza e amplia horizontes 

A relação dos/as estudantes com a arte sempre foi estimulada pelos/as profissionais da Monteiro. Fundada em 1969 como uma Escolinha de Arte, a instituição de ensino já tinha como um de seus objetivos promover uma educação diferenciada, privilegiando a linguagem artística como forma de comunicação, documentação e construção da personalidade dos/as alunos/as.

Em 2021, a proximidade com esse tipo de linguagem e expressão continua fazendo diferença na vida dos/as estudantes: em suas aulas, Lenice observa como eles/as demonstram maior sensibilidade e inclinação para entender o que a arte representa, incluindo o significado para cada artista e como ela influencia suas respectivas expressões e movimentos artísticos.

Nas aulas de Arte, o protagonismo dos/as estudantes é incentivado a partir de diversas propostas de atividades, até mesmo avaliações. Ao pensar em propostas para avaliar o aprendizado, a professora sempre considera as habilidades de cada aluno/a, junto com as diferentes possibilidades que a arte oferece – incluindo as maquiagens da própria Valentina.

Na visão da aluna, a Monteiro oferece oportunidades e alternativas às pessoas que não se identificam com o convencional por meio do incentivo a processos criativos e do estímulo ao protagonismo. “A Monteiro permite que a minha arte se torne parte de quem eu sou, faz com que ela seja valorizada, indo além de outros tipos de  conhecimento e disciplinas. Dessa forma, a Escola não só proporciona uma educação humanizada aos/às alunos/as, mas se torna mais humana, e, para mim, isso é incrível”.

Talita Vieira.

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