O legado de “Brasil 70: A Saga do Tri” inspira novas gerações
Antes de o Brasil conquistar o tricampeonato mundial, a Seleção de 1970 já havia mudado a forma como o futebol poderia ser compreendido.
Até mesmo os “menos chegados ao futebol” devem concordar: falamos de uma equipe tecnicamente brilhante, o elenco que consolidou uma maneira de jogar, de liderar e de representar o país que atravessou gerações e permanece como referência até hoje. É justamente esse legado, muito além do placar, que a minissérie “Brasil 70: A Saga do Tri” revisita ao reconstruir a campanha do Mundial do México e, também, ao mostrar os bastidores, as tensões e as relações humanas que tornaram possível uma das maiores equipes da história do esporte.
Ao contrário de uma narrativa que se limita aos lances históricos, a série evidencia que o tricampeonato foi resultado de um processo complexo, marcado por diferentes estilos de liderança, disputas internas, preparação física e emocional e pela capacidade de transformar individualidades extraordinárias em um coletivo praticamente imbatível. Nesse sentido, a produção amplia o olhar sobre aquela conquista e convida o espectador a refletir sobre temas que continuam atuais, como cooperação, disciplina, confiança e responsabilidade compartilhada.
Para o professor de Educação Física do Ensino Médio e treinador das equipes feminina e masculina de futebol da Escola Monteiro, Wesley Olindino (“Lele”), esse talvez seja o principal ensinamento deixado pela geração de 1970.
“Essa série mostra que um grande time não é formado apenas por talentos individuais. O sucesso acontece quando existe confiança, comprometimento e trabalho coletivo. São valores que buscamos desenvolver diariamente com nossos atletas na Escola Monteiro.”
Lelel ressalta que a produção também contribui para desmistificar a ideia de que grandes equipes são formadas apenas por jogadores excepcionais. Ao revelar os bastidores da campanha, a série mostra que o desempenho em campo é resultado de um conjunto de fatores, como planejamento, preparação, trabalho coletivo e convivência entre diferentes personalidades.
Para o professor, o esporte também oferece aprendizados que vão muito além das vitórias. “É preciso compreender que aprender a perder é tão importante quanto saber vencer. Quando vivemos apenas as conquistas, corremos o risco de desenvolver a soberba e deixamos de aprender com os desafios. A derrota nos ensina sobre superação, resiliência e força. É a partir dela que encontramos motivação para escalar novamente a montanha, superar nossos limites e buscar uma nova vitória.”
“O esporte ensina respeito, responsabilidade e fair play. Saber competir é tão importante quanto saber vencer. Quando entendemos a história de equipes como a de 1970, percebemos que as grandes conquistas são construídas com dedicação, preparação e união. Em um ano de Copa do Mundo, é uma excelente oportunidade para mostrar aos jovens que o futebol pode inspirar atitudes positivas dentro e fora de campo.”
Eduardo Olindino, aluno da 1ª série do Ensino Médio na Monteiro e atleta da equipe Sub-16, que vê na história da Seleção um exemplo de que o futebol é construído diariamente, muito antes dos grandes momentos.
“Participar da equipe de futebol me ensinou que respeitar os adversários e jogar com fair play é tão importante quanto buscar a vitória. Com a Copa do Mundo de 2026 acontecendo, é impossível não sonhar e se inspirar nos grandes jogadores, mas também lembrar que todo atleta começa aprendendo valores como dedicação, disciplina e trabalho em equipe.”
Mais de cinco décadas depois, a Seleção de 1970 continua sendo lembrada pelos gols, pelos títulos, pelos craques que vestiram a camisa amarela e, principalmente, pelo legado que deixou para o futebol. Ao recuperar essa trajetória, “Brasil 70: A Saga do Tri” mostra que as maiores vitórias nem sempre são medidas pelo placar. Elas permanecem vivas na forma como inspiram novas gerações a compreender o esporte como espaço de aprendizagem, convivência e construção de valores, um legado que continua atravessando o tempo e chegando aos campos, às escolas e aos jovens atletas de hoje.