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Você diz “não” com frequência aos seus filhos? Este era um costume do casal Allison e Carlos, pais de uma adolescente e duas crianças. Eles são convencidos a mudar de postura e atender a todos os pedidos dos filhos em um período de 24 horas. Já imaginou? A peculiar atitude consiste no “Dia do Sim”, tema do filme que foi adicionado ao catálogo da Netflix em março, estrelado por Jennifer Garner (Allison) e Edgar Ramírez (Carlos).

Regras são fundamentais – a importância de uma educação dialógica 

De acordo com Juliana Poltronieri, mãe e coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental I, ser muito permissivo com os filhos não é o melhor caminho para uma educação saudável – mas também não é legal ser muito rígido ou até autoritário. “Penso que extremos nunca são bons. A busca pelo meio termo, a meu ver, sempre é mais sensata. Nem tanta permissividade, nem tanto abuso de autoridade”, explica.

Ela defende que regras e limites são importantes para a formação das crianças, alertando para os riscos que ser muito permissivo traz: “Muitas vezes, a falta de regras faz com que a criança e o adolescente acreditem que elas não existem, e, com isso, pais vão “ensinando” aos filhos a não reconhecerem autoridade e não respeitarem limites”. 

Juliana Poltronieri e Tatiani Svacina. Fotos: Acervos pessoais/Divulgação

Identificar quando ser mais permissivo ou rígido não é uma tarefa fácil, e Juliana compreende isso. Ela observa que, hoje, muitas famílias sentem-se sobrecarregadas com o excesso de trabalho e acabam temendo o desgaste que o estabelecimento de limites aos filhos pode causar. A maioria adota uma postura mais permissiva para priorizar a ausência de conflitos, negligenciando os males provocados por esse tipo de comportamento. 

Como saída para a situação, a pedagoga aconselha: “Acredito que uma relação dialógica é fundamental para a solidez de uma boa convivência entre pais e filhos. As crianças precisam entender que existe uma grande diferença entre autoridade e autoritarismo. Temendo o autoritarismo, muitos pais fragilizam os limites dentro de suas casas e, assim, perdem a autoridade. Assim como a rigidez excessiva, isso também não é bom”.

É possível (e necessário) educar sem deixar a diversão de lado

Passar momentos de lazer e realizar brincadeiras e outras atividades juntos dos filhos é mais do que recomendado para um convívio familiar saudável, além de acarretar uma educação mais equilibrada e positiva. 

Tatiani Svacina, mãe e orientadora pedagógica da Monteiro, afirma que, muitas vezes, as crianças expressam suas emoções e sentimentos por meio de brincadeiras: “Uma criança pequena, muitas vezes, não diz se está triste ou que sente a falta da presença do pai ou da mãe. Ao invés de falar, ela pede para que o adulto brinque com ela. Brincando, ela aprende a desenvolver laços afetivos, autoconfiança, amabilidade, expressividade e outros aspectos importantíssimos para sua formação.”

Para saber dosar a frequência e intensidade desses diferentes momentos, Tatiani recomenda o estabelecimento de rotinas: “A criança precisa de uma rotina. Ao vivenciá-la diariamente, ela consegue, com segurança e tranquilidade, entender como funcionam as regras estabelecidas pela família.”

Inspirado na homônima obra literária de Amy Krouse Rosenthal, “Dia do Sim” mostra que nem só em “nãos” uma convivência familiar saudável é baseada, assim como não só em diversão e brincadeiras. Entre muitas aventuras, os personagens enfrentam alguns dilemas pessoais, fazendo com que a união deles seja colocada à prova. Com classificação indicativa livre, o filme é uma ótima opção de entretenimento e reflexão para toda a família.

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Clique aqui para assistir ao trailer de Dia do Sim.

Talita Vieira.

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